Não existe uma resposta única para quem faz o PEI sem consultar a regulamentação da rede de ensino. O professor do AEE possui papel central na organização dos documentos relacionados ao atendimento especializado, enquanto o professor regente contribui com currículo, ensino e avaliação. Gestão, família, estudante e demais profissionais também participam conforme suas atribuições. O profissional de apoio pode contribuir com observações, mas não deve elaborar o PEI sozinho.

A dúvida sobre a responsabilidade pelo Plano Educacional Individualizado aparece com frequência nas escolas. Em algumas redes, o fluxo atribui a coordenação ao professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Em outras, as responsabilidades são distribuídas de maneira diferente ou PAEE e PEI aparecem em um documento único.

Por isso, é importante separar cinco ações: elaborar, colaborar, implementar, acompanhar e institucionalizar. Participar do PEI não significa assumir sozinho todas essas responsabilidades.

Quem faz o PEI?

Para saber quem faz o PEI em uma escola específica, é necessário consultar as normas do sistema de ensino. A legislação federal estabelece a natureza, a finalidade e a relação do documento com o Estudo de Caso, mas redes estaduais e municipais podem detalhar o fluxo, a coordenação e os responsáveis formais.

O Decreto nº 12.686/2025, com as alterações do Decreto nº 12.773/2025, caracteriza o PEI como documento individualizado, de natureza pedagógica e atualização contínua, derivado do Estudo de Caso.

O PEI deve orientar o trabalho na sala de aula comum, no AEE, nas atividades colaborativas da instituição e nas ações de articulação intersetorial. Sua institucionalização também integra o projeto político-pedagógico.

Essas finalidades demonstram que o documento não pertence informalmente a uma única pessoa. Ele exige articulação entre quem conhece o atendimento especializado, quem conduz o ensino comum, quem organiza o trabalho pedagógico e quem vive diretamente as experiências registradas no plano.

O que significa elaborar o PEI?

Elaborar o PEI não é apenas preencher campos em um formulário. O processo deve partir do Estudo de Caso e transformar informações sobre barreiras, potencialidades e demandas de apoio em planejamento pedagógico.

A elaboração pode envolver:

  • analisar os resultados do Estudo de Caso;
  • relacionar o planejamento ao currículo;
  • definir objetivos educacionais;
  • organizar estratégias e recursos de acessibilidade;
  • definir responsabilidades;
  • estabelecer formas de acompanhamento;
  • articular sala comum, AEE e equipe escolar;
  • prever atualização contínua.

Um plano produzido sem diálogo com o cotidiano pode se transformar em documento burocrático. Da mesma forma, um documento copiado de outro estudante não atende ao caráter individualizado exigido pela norma.

Elaborar, colaborar, implementar e acompanhar são ações diferentes

Ação O que significa Participação possível Cuidado necessário
Elaborar Transformar o Estudo de Caso em planejamento pedagógico individualizado Profissionais definidos pela rede, com articulação da equipe Não reduzir o trabalho ao preenchimento de um modelo
Colaborar Oferecer informações, observações e propostas relacionadas à própria atuação Estudante, família, professores, gestão, apoio e outros participantes Colaboração não torna todos autores formais
Implementar Aplicar estratégias e recursos nas atividades escolares Professores e profissionais envolvidos, conforme suas atribuições Ninguém deve receber tarefas incompatíveis com sua função
Acompanhar Observar resultados, registrar mudanças e subsidiar revisões Equipe escolar, estudante e família Evitar registros vagos ou apenas burocráticos
Institucionalizar Integrar o documento ao fluxo e ao projeto político-pedagógico Gestão e equipe pedagógica Seguir as normas e os procedimentos da rede

Qual é o papel do professor do AEE?

O professor do AEE possui papel central na organização do Atendimento Educacional Especializado. A Portaria MEC nº 421/2026, em sua redação vigente, inclui entre as atividades do AEE a elaboração de documentos individualizados de natureza pedagógica, especialmente PAEE e PEI, a partir do Estudo de Caso.

Em sua atuação, o professor do AEE pode:

  • participar do Estudo de Caso;
  • identificar barreiras;
  • organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade;
  • contribuir para a elaboração e atualização dos documentos;
  • articular o AEE com a sala comum;
  • acompanhar estratégias relacionadas ao atendimento especializado.

Esse papel central não significa trabalhar sozinho nem substituir o professor regente. O AEE é complementar ou suplementar à escolarização e não ocupa o lugar do ensino na classe comum.

Qual é o papel do professor regente?

O professor regente conduz o ensino na sala comum. Ele conhece o currículo, os objetivos de aprendizagem, as atividades realizadas, as formas de avaliação e a participação do estudante na turma.

Por isso, sua contribuição é indispensável para que o PEI dialogue com a escolarização real. O professor pode:

  • apresentar observações sobre participação e aprendizagem;
  • relacionar objetivos ao currículo;
  • planejar e implementar estratégias pedagógicas;
  • acompanhar e avaliar a aprendizagem;
  • dialogar com AEE, gestão e demais participantes.

O professor regente não deve transferir a responsabilidade pelo ensino ao AEE ou ao profissional de apoio. Ao mesmo tempo, a forma exata de coordenação e registro do PEI depende da regulamentação da rede.

Qual é o papel da coordenação e da gestão?

A colaboração não acontece apenas porque está prevista em um documento. A escola precisa criar condições institucionais para que os profissionais se reúnam, compartilhem informações pertinentes e acompanhem o planejamento.

Coordenação pedagógica e gestão podem:

  • organizar o fluxo institucional;
  • verificar a regulamentação aplicável;
  • definir prazos e responsabilidades;
  • garantir tempo e condições para colaboração;
  • articular professores e demais profissionais;
  • integrar o documento ao projeto político-pedagógico;
  • acompanhar implementação e atualização;
  • evitar que o plano seja apenas arquivado.

A família deve participar do PEI?

Sim. A legislação garante o envolvimento do estudante e dos familiares responsáveis pelo cuidado cotidiano durante o Estudo de Caso, tanto para contribuir com o histórico de estratégias e necessidades quanto para acompanhar e apoiar a implementação do plano.

A família pode compartilhar informações sobre formas de comunicação, preferências, recursos já utilizados e mudanças observadas. Essa participação não transfere à família a responsabilidade pedagógica da escola.

Questões formais como assinatura, aprovação e prazos precisam ser verificadas na norma da rede. A escola não deve exigir que a família produza o PEI em seu lugar.

O estudante deve participar?

O estudante deve participar no maior grau possível. Isso pode acontecer por fala, escrita, Libras, comunicação aumentativa e alternativa, gestos, escolhas entre opções ou outras formas de expressão.

Interesses, preferências, objetivos e percepção sobre os apoios ajudam a construir um plano mais coerente. O diagnóstico ou a deficiência não devem ser usados para presumir que o estudante não pode participar.

O profissional de apoio pode elaborar o PEI?

O profissional de apoio pode colaborar com observações relacionadas à sua atuação, mas não deve receber sozinho a responsabilidade de elaborar o PEI, definir currículo, planejar o ensino ou avaliar a aprendizagem.

De acordo com o decreto, o profissional de apoio atua em consonância com PAEE e PEI em atividades relacionadas à locomoção, acesso e participação, higiene e alimentação, interação social e comunicação, além da utilização de tecnologias e recursos auxiliares desenvolvidos pelo AEE.

Ele pode informar, por exemplo, quais barreiras observa na participação e como o estudante responde a determinados recursos. Essa contribuição não o transforma em professor regente ou professor do AEE.

Leia também o que faz um profissional de apoio escolar.

Profissionais de saúde e terapeutas podem participar?

Profissionais externos podem fornecer informações pertinentes quando houver necessidade, fundamento adequado e respeito à proteção dos dados. O decreto prevê diálogo com profissionais da rede de proteção social quando necessário ao Estudo de Caso.

Essas informações podem subsidiar o processo, mas não substituem a análise do contexto escolar. Diagnóstico, laudo ou recomendação clínica não determinam sozinhos objetivos curriculares, estratégias pedagógicas e avaliação.

A responsabilidade educacional permanece com a escola. O compartilhamento de dados também deve observar a finalidade, a necessidade e as regras aplicáveis da Lei Geral de Proteção de Dados.

Como Estudo de Caso, PAEE e PEI se relacionam?

O PEI não deve surgir de um formulário vazio. A sequência prevista pela legislação começa pelo Estudo de Caso:

  1. identificar as demandas iniciais;
  2. realizar o Estudo de Caso;
  3. analisar barreiras, contexto, potencialidades e apoios;
  4. elaborar ou atualizar PAEE e PEI;
  5. implementar estratégias e recursos de forma articulada;
  6. acompanhar e revisar os documentos.

Veja as diferenças entre Estudo de Caso, PAEE, PEI e PDI e o guia sobre como fazer um Estudo de Caso na Educação Especial.

A rede pode utilizar um documento único?

Sim. A Portaria MEC nº 421/2026 permite que as redes adotem um documento único que contemple as finalidades do PAEE e do PEI, desde que sejam observados os critérios mínimos estabelecidos na norma.

Isso ajuda a explicar por que formulários e fluxos podem variar. Usar um documento único não elimina a necessidade de contemplar atendimento especializado, sala comum, colaboração, objetivos, recursos e acompanhamento.

Com que frequência o PEI deve ser revisado?

A Portaria MEC nº 421/2026 prevê revisão anual de PAEE e PEI para compatibilizá-los com a avaliação contínua do estudante. O acompanhamento, porém, não deve acontecer somente uma vez por ano.

Mudanças relevantes nas barreiras, estratégias, apoios ou participação podem exigir atualização antes do fechamento anual. O decreto caracteriza esses documentos como de atualização contínua.

O que fazer quando alguém da equipe não participa?

A ausência de participação deve ser tratada de maneira institucional. A escola pode:

  • registrar a necessidade de colaboração;
  • comunicar coordenação ou gestão;
  • definir responsabilidades e prazos;
  • organizar reuniões e formas viáveis de contribuição;
  • registrar decisões e pendências;
  • consultar as normas da rede;
  • buscar orientação da secretaria ou instância responsável quando necessário.

O objetivo não é expor profissionais ou transformar a primeira dificuldade em conflito jurídico. É garantir que o documento não fique informalmente sob responsabilidade de uma única pessoa.

Matriz de contribuições para o PEI

Participante Contribuição possível O que não deve assumir sozinho
Professor do AEE Estudo de Caso, acessibilidade, recursos e organização do atendimento especializado Toda a escolarização e o currículo da sala comum
Professor regente Currículo, ensino, participação, acompanhamento e avaliação Decisões sobre recursos especializados sem articulação
Coordenação e gestão Fluxo, responsabilidades, condições de colaboração e acompanhamento Produção desconectada dos profissionais que atuam com o estudante
Estudante Preferências, interesses, objetivos, experiências e percepção dos apoios Responsabilidade institucional pelo documento
Família Histórico, estratégias, formas de comunicação e acompanhamento Responsabilidade pedagógica da escola
Profissional de apoio Observações relacionadas ao suporte, acesso e participação Currículo, planejamento e avaliação da aprendizagem
Profissionais externos Informações pertinentes dentro de sua área e vínculo Decisões pedagógicas que pertencem à escola

A matriz apresenta contribuições possíveis. A distribuição formal precisa seguir a regulamentação e a organização do sistema de ensino.

Erros comuns sobre quem faz o PEI

  • delegar todo o documento ao AEE;
  • atribuir tudo ao professor regente sem colaboração;
  • pedir ao profissional de apoio que produza o plano;
  • exigir que a família entregue o documento pronto;
  • copiar o PEI de outro estudante;
  • elaborar sem Estudo de Caso;
  • excluir o estudante das decisões;
  • tratar informação clínica como decisão pedagógica;
  • criar objetivos sem relação com o currículo;
  • arquivar sem implementar;
  • não definir responsabilidades;
  • deixar de atualizar o documento.

Checklist para organizar a elaboração

  • A norma da rede foi consultada?
  • O Estudo de Caso foi realizado?
  • A coordenação do processo está definida?
  • O professor regente participa?
  • O AEE participa?
  • O estudante foi envolvido?
  • A família foi ouvida?
  • Barreiras e potencialidades estão registradas?
  • Os objetivos se relacionam ao currículo?
  • Estratégias e recursos estão definidos?
  • As responsabilidades estão claras?
  • O profissional de apoio recebeu atribuições compatíveis?
  • Existem critérios de acompanhamento?
  • A revisão está prevista?
  • Os dados pessoais estão protegidos?

Perguntas frequentes

Quem faz o PEI?

A responsabilidade formal depende da norma da rede. O processo deve articular AEE, professor regente, gestão, estudante e família, respeitando as atribuições de cada participante.

O professor do AEE é responsável pelo PEI?

O AEE tem papel central na elaboração dos documentos individualizados, mas o processo não deve ocorrer sem articulação com sala comum, equipe escolar, estudante e família.

O professor regente precisa participar?

Sim. O PEI orienta também o trabalho na sala comum, e o professor regente é responsável pelo ensino, planejamento curricular e avaliação da aprendizagem.

O profissional de apoio pode elaborar o PEI?

Pode colaborar com observações ligadas à sua função, mas não deve elaborar o documento sozinho nem assumir currículo, ensino e avaliação.

A família precisa assinar ou aprovar o PEI?

A família deve participar do processo. Exigências de assinatura, aprovação e procedimentos formais precisam ser verificadas na regulamentação da rede.

O estudante deve participar?

Sim, no maior grau possível e por meio de sua forma de comunicação. Seus interesses, preferências e experiências são relevantes para o planejamento.

Um terapeuta pode fazer o PEI?

Profissionais externos podem fornecer informações pertinentes, mas não substituem a responsabilidade educacional da escola nem o planejamento pedagógico.

A escola pode exigir que a família entregue o PEI?

Não deve transferir à família a responsabilidade pedagógica institucional. A família participa e contribui, mas a organização do documento cabe à escola conforme a norma da rede.

É necessário laudo médico?

Não. A oferta do AEE e a elaboração dos documentos pedagógicos não podem ser condicionadas à apresentação de diagnóstico ou laudo médico.

O PEI precisa partir do Estudo de Caso?

Sim. A legislação determina que o resultado do Estudo de Caso fundamente PAEE e PEI.

PAEE e PEI podem estar no mesmo documento?

Sim. A Portaria MEC nº 421/2026 permite documento único, desde que contemple as finalidades e os critérios mínimos previstos.

Quem implementa as estratégias?

Os profissionais envolvidos implementam as estratégias conforme suas atribuições. O professor continua responsável pelo ensino e o apoio não assume a docência.

Quem acompanha os resultados?

O acompanhamento é colaborativo e envolve a equipe, o estudante e a família. A coordenação do registro deve seguir o fluxo institucional.

Quando o PEI deve ser atualizado?

O acompanhamento é contínuo e a Portaria MEC nº 421/2026 prevê revisão anual, sem impedir atualizações anteriores quando necessárias.

O que fazer quando o professor não participa?

A situação deve ser encaminhada à coordenação ou gestão, com responsabilidades, prazos e pendências registrados conforme as normas da instituição e da rede.

O PEI é uma responsabilidade institucional e colaborativa

A pergunta “quem faz o PEI?” não deve terminar na escolha informal de uma única pessoa. O documento é pedagógico, deriva do Estudo de Caso e orienta ações na sala comum, no AEE e nas atividades colaborativas da escola.

AEE, professor regente, gestão, estudante, família e demais participantes contribuem de acordo com suas atribuições. A definição de autoria e coordenação formal precisa respeitar a regulamentação da rede.

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